O reality show da Netflix "Casamento às Cegas" promete unir casais a partir de conexões emocionais, sem a influência da aparência física. No entanto, na oitava temporada, dois casais terminaram seus relacionamentos não por falta de química ou atração, mas por divergências políticas. O programa acabou refletindo a polarização crescente nos relacionamentos modernos.
Duas mulheres que chegaram à fase final do programa decidiram não seguir com o casamento, alegando que seus valores e visões de mundo eram incompatíveis com os de seus noivos. Uma delas declarou emocionada: "Sempre quis um parceiro que estivesse na mesma sintonia. Hoje percebi que não posso continuar."
Embora a temporada tenha sido gravada há um ano, a repercussão nas redes sociais foi imediata, com muitos fãs apontando como o conflito entre os casais reflete um fenômeno social mais amplo: a crescente influência da política na escolha de parceiros amorosos.
Um dos casais que enfrentou esse dilema foi Sara Carton, enfermeira oncológica, e Ben Mezzenga, executivo de contas. Inicialmente, eles se conectaram por interesses comuns e pela sintonia emocional. No entanto, divergências surgiram quando o assunto "política" veio à tona. Ben, de família conservadora e frequentador de igreja, demonstrou relutância em discutir temas como direitos LGBTQ+ e igualdade racial. Para Sara, que tem uma irmã lésbica e valores progressistas, isso foi um grande obstáculo. "Eu perguntei sobre Black Lives Matter e ele disse: 'Nunca pensei muito nisso.' Como assim?", desabafou ela.
Outro casal que enfrentou problemas foi Devin Buckley, treinador de basquete, e Virginia Miller, recrutadora da área da saúde. Devin se declarou desinteressado por política, enquanto Virginia considerava o engajamento político essencial. Quando o tema "direitos reprodutivos" surgiu, Devin hesitou e deu respostas evasivas, o que fez Virginia se sentir desconfortável com a falta de comprometimento dele em relação a assuntos que considerava fundamentais.
Estudos recentes apontam que casais com visões políticas opostas estão se tornando mais raros. Uma pesquisa do Instituto de Estudos sobre a Família revelou que apenas 21% dos casamentos atuais ocorrem entre pessoas de diferentes orientações políticas, número que vem caindo nos últimos anos.
A separação desses casais gerou intenso debate nas redes sociais, com opiniões divididas. Enquanto alguns criticaram as mulheres por priorizarem política na decisão amorosa, outros apontaram que evitar o assunto pode ser um sinal de falta de alinhamento nos valores essenciais para um relacionamento duradouro.
No final, "Casamento às Cegas" mais uma vez serviu como um microcosmo das questões sociais atuais, mostrando que, em tempos de forte polarização, o amor pode ser cego, mas a política, definitivamente, não passa despercebida.
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